NR-01 Junho 2026 8 min de leitura

O que a NR-01 realmente exige das empresas — e por que a maioria ainda não está preparada

A norma está em vigor desde maio de 2026, mas a maior parte das organizações ainda trata o tema como burocracia. Entenda o que muda na prática e o que RH precisa fazer agora.

Mônica Carvalho
Administradora de Empresas · Consultora Corporativa · Autora

A norma chegou. A maioria das empresas, ainda não.

Em maio de 2026, a atualização da NR-01 entrou em vigor com uma mudança que poucos gestores de RH viram chegar com a seriedade que merecia: a obrigatoriedade de incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas.

Riscos psicossociais — sobrecarga, assédio, esgotamento, pressão excessiva, falta de autonomia — passaram a ser tratados pela legislação no mesmo nível que riscos físicos e químicos. Isso não é uma sugestão. É uma obrigação legal com implicações diretas no passivo trabalhista da sua organização.

E no entanto, o que vejo na prática quando converso com equipes de RH e lideranças é um silêncio preocupante: a maioria ainda não sabe exatamente o que a norma exige, está tratando o tema como mais um item da lista de compliance — ou pior, terceirizando para o jurídico e esperando que o assunto se resolva sozinho.

"Riscos psicossociais não são abstração. São burnout, afastamentos, processos trabalhistas e custo mensurável — e agora são também sua responsabilidade legal."

O que a NR-01 atualizada exige na prática

Antes de entrar no que fazer, é importante entender o que exatamente mudou. A NR-01 já existia e regulamentava disposições gerais de segurança e saúde no trabalho. A atualização de 2025 ampliou o escopo do PGR para incluir explicitamente os fatores psicossociais relacionados ao trabalho.

Na prática, isso significa que sua empresa precisa:

Não há um modelo único. Cada empresa precisa construir seu mapeamento com base na realidade dos seus trabalhadores. E é justamente aqui que está o maior erro: tentar resolver com um documento genérico ou uma palestra anual de "bem-estar".

5.248
processos trabalhistas envolvendo burnout e esgotamento julgados pelo TST em 2025, somando R$3,75 bilhões em passivos
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho, 2025

Por que a maioria das empresas ainda não está preparada

Conversei com gestores de RH de empresas de diferentes tamanhos ao longo dos últimos meses e ouço variações da mesma frase: "Sabemos que precisamos fazer algo, mas ainda não sabemos exatamente o quê."

Existem três razões principais para esse gap:

1. Confusão entre bem-estar e gestão de risco

Muitas empresas já têm programas de bem-estar — academia, meditação, palestras motivacionais. Isso é válido, mas não substitui o mapeamento de riscos que a NR-01 exige. Bem-estar é reativo e opcional. Gerenciamento de risco psicossocial é preventivo e obrigatório. São dimensões diferentes.

2. Falta de metodologia para o mapeamento

Identificar riscos psicossociais não é o mesmo que aplicar uma pesquisa de clima. Exige critérios técnicos, categorização por tipo de risco, avaliação de severidade e frequência — e, idealmente, a participação de profissionais com formação em saúde ocupacional. A maioria dos departamentos de RH não tem esse ferramental internamente.

3. Subestimação do risco jurídico

O custo médio de um processo trabalhista envolvendo burnout no Brasil chegou a R$368.900 em 2025 — e esse número não inclui o custo reputacional, a perda de produtividade durante o afastamento ou o impacto no engajamento do restante da equipe. Um programa preventivo estruturado custa menos de 4% desse valor — e ainda funciona como documentação de conformidade com a NR-01.

R$368k
custo médio de um processo trabalhista por burnout — menos de 4% desse valor é suficiente para um programa preventivo estruturado
Fonte: TST, 2025

O que fazer agora: um ponto de partida

Se sua empresa ainda não começou, o momento é agora — não porque a fiscalização bateu à porta, mas porque o passivo já está sendo construído diariamente nas condições de trabalho que você oferece ou tolera.

Um ponto de partida estruturado envolve quatro movimentos:

"A NR-01 não é sobre criar mais burocracia. É sobre reconhecer que o ambiente de trabalho tem um impacto real e mensurável na saúde das pessoas — e que isso é responsabilidade da empresa."

O papel das lideranças nesse processo

Um ponto que raramente aparece nas discussões sobre NR-01 mas que considero central: a maioria dos riscos psicossociais não vem da natureza do trabalho em si, mas da forma como ele é gerido.

Pressão desproporcional, metas irreais, falta de clareza sobre expectativas, ausência de reconhecimento, comunicação agressiva — são comportamentos de gestão que criam ou amplificam os riscos que a norma exige mapear e controlar.

Isso significa que qualquer programa sério de conformidade com a NR-01 precisa incluir a capacitação das lideranças. Não uma palestra de uma hora sobre empatia. Um trabalho real de desenvolvimento de competências de gestão que impacte o cotidiano das equipes.

É exatamente nesse ponto que meu trabalho com empresas se concentra: unindo o diagnóstico técnico com a capacitação prática das lideranças — com o diferencial de incluir o respaldo de um médico do trabalho no processo.

Conclusão: conformidade como vantagem competitiva

Empresas que encaram a NR-01 apenas como obrigação legal vão cumprir o mínimo e perder a oportunidade real que a norma abre: construir ambientes de trabalho que retêm talentos, reduzem absenteísmo, aumentam engajamento e protegem a organização de passivos crescentes.

As que enxergam isso como investimento em cultura e resultado vão sair na frente — não só na conformidade, mas no desempenho.

Se você é de RH ou lidera uma organização e quer entender como implementar esse processo de forma estruturada, estou disponível para uma conversa.

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